Por Monica Kimura
Estava à toa na vida / O meu amor me chamou / Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor
Na verdade, ninguém estava à toa. Todos os que se aglomeraram no calçadão da rua Dom Pedro, no final da tarde do dia 27, estavam ali com um objetivo: participar do Cortejo Cultural da Teia Paulista. A liderança na articulação começou com o Coletivo Teatral Commune, cuja proposta principal é a formação de uma rede nacional de Pontos de Cultura das Artes Cênicas.
A minha gente sofrida / Despediu-se da dor / Pra ver a banda passar /
Cantando coisas de amor
Mas muitos outros grupos juntaram-se à trupe teatral. Mães e pais de santo vestidos à caráter, doaram sua energia mística; os delegados dos Pontos aderiram ao cortejo levando sua força e ideal; transeuntes maravilhados, sem nem saber o porque, foram seduzidos e dançaram junto.
O homem sério que contava dinheiro parou / O faroleiro que contava vantagem parou / A namorada que contava as estrelas parou / Para ver, ouvir e dar passagem / (..) E a meninada toda se assanhou / Pra ver a banda passar /
Cantando coisas de amor
Nas janelas dos edifícios, centenas de cabeças surgiram supresas, assustadas e curiosas. Renata Damas, da rede Urucungos de Campinas, maravilhou-se com um grupo de meninos de rua que incorporou-se ao cortejo e seguiu até o final, dançando, cantando e divertindo-se. “O comércio todo saiu às portas para ver; em um primeiro momento assombro, depois os sorrisos surgiam fartos”, conta o produtor musical Cabeto Rocker”. Segundo ele um dentista, surgiu à janela ainda usando uma máscara cirúrgica, pego de surpresa em plena atividade profissional, e não resistiu: ficou assistindo.
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu / A lua cheia que vivia escondida surgiu / Minha cidade toda se enfeitou / Pra ver a banda passar / cantando coisas de amor
“Eu acredito que intervenções como essa no espaço público são importantes e necessárias, pois causam impactos. No mínimo obrigam a pessoa a refletir sobre o momento”, bem lembrou o sociólogo e educador popular Sila Eduardo de Souza do Ponto de Cultura Mocambo Hebert de Souza, de Campinas.
O que ficou, na opinião dos participantes, é a certeza de que a mensagem foi passada e que os que viram o cortejo passar foram tocados, mesmo que momentaneamente.



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